Sociedade civil liderada por refugiados e migrantes conhece metodologia do UNICEF para soluções de desafios comunitários

O evento apresentou a estratégia que integra engajamento comunitário, levantamento de necessidades e geração de evidências para fortalecer lideranças e associações locais

© UNICEF/BRZ/Laís Muniz

Boa Vista, 16 de julho de 2025 – Com foco na construção conjunta de soluções para desafios vividos pelas comunidades migrantes em Roraima, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Instituto Pirilampos se uniram a representantes da “Humanidade Mais que Fronteiras” e “Voz Migrante”, duas associações da sociedade civil lideradas por refugiados e migrantes da Venezuela, para uma capacitação sobre engajamento comunitário, levantamento de dados e mobilização social. O encontro foi realizado no auditório do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, parceiro do evento, em Boa Vista, reunindo cerca de 30 representantes das associações.

A metodologia compartilhada propõe práticas concretas para fortalecer a mobilização comunitária, a escuta ativa e a participação social a partir da experiência da Estratégia de Mobilização Comunitária com Participação de Adolescentes (CMAPS, na sigla em inglês), implementada desde 2020 pelo UNICEF e parceiros. 

A chefe do escritório do UNICEF em Roraima, Tâmara Simão, destaca que o momento marca o início de uma agenda de colaboração técnica com as associações de migrantes e refugiados em Roraima. “Nosso objetivo é fortalecer o trabalho social que já vem sendo desenvolvido pelas organizações, que são fundamentais na proteção dos direitos de crianças e adolescentes em contextos migratórios. Com a formação, pudemos apoiar as associações com ferramentas para que as prioridades das famílias migrantes cheguem aonde precisam chegar”, explicou.

A programação incluiu momentos de capacitação sobre ferramentas práticas de levantamento de dados, mobilização social e produção de evidências, além da apresentação de boas práticas em campanhas comunitárias e incidência local. Os participantes também compartilharam experiências e refletiram sobre as prioridades de suas comunidades, construindo de forma participativa planos de ação para fortalecer seu trabalho no território.

©UNICEF/BRZ/Laís Muniz

No encontro, as associações compartilharam que temas como regularização migratória, acesso ao trabalho, saúde e educação para adultos e crianças são prioridade para o bem estar de pessoas em movimento.

Para a representante da Humanidade mais que Fronteiras, Mayra Figuera, a capacitação sobre a metodologia de mobilização comunitária teve resultados imediatos. 

 “Gostamos muito da parte das estratégias de comunicação. A partir desse aprendizado, decidimos estabelecer um informe mensal interno para nossos parceiros e apoiadores, por exemplo”, disse.

Já Alba González, da Voz Migrante, destacou a importância do treinamento em monitoramento de dados, que é um assunto essencial para um dos trabalhos que está sendo desenvolvido pela associação. 

“As dicas dadas na temática de monitoramento foram muito interessantes, principalmente porque a associação está se preparando para uma atividade de aplicação de diagnóstico junto à população migrante”, explicou a presidente da associação. “É importante para nós continuarmos essa aproximação com UNICEF e parceiros, até para aprimorar nossos conhecimentos”.